Inteligência não lhe falta, dizem. Coragem, idem. Também é determinado. Tem fortes convicções e sede insaciável por sucesso. Sem dúvida que possui potencial para tal, porque é um diamante por lapidar. A questão é: quando é que um pedido de demissão é a solução para ajudar alguém com essas qualidades a alcançar o sucesso profissional?
Estava deprimido? Não. Apenas preocupado. Talvez um pouco abaixo, mas não tinha medo de fracassar, porque tem fé em si e nas suas capacidades. O entusiasmo em realizar o seu sonho dá-lhe propósito de vida e energia.
Recuso-me acreditar que não sou capaz, dizia no íntimo.
Não se permitia acreditar que era incapaz de ganhar por si mesmo o salário que recebia, de ter a sua própria empresa e realizar a vida profissional de milhares. Mudar e melhorar o mundo com o seu contributo, assim como fizeram os Grandes da História.
Ingenuidade? Talvez. Sempre se lembrava que para inventar uma máquina que voa, como fizeram os irmãos Wright, era preciso ser ingénuo o bastante para acreditar que é possível. Às vezes, ingenuidade é prima da genialidade.
Havia oito anos que estava empregado, mas nos últimos anos estava infeliz, entediado e cansado com a rotina de um emprego. Queria algo mais. Algo que lhe fizesse sentir orgulho do seu trabalho. Queria fazer algo que fosse muito útil, de qualidade superior e indispensável à vida das pessoas como o ar que respiramos. Ao invés de fazer as coisas só por fazer, de forma mecânica, para salvaguardar “o pão”.
Para ele, o ordenado no fim do mês não era importante se não fizesse bem feito o que devia fazer em prol das pessoas para quem servia. Não dos patrões, mas sim do público para o qual trabalhava diariamente. Leitores de jornal, no caso.
Quando se questionava sobre o motivo de não dar muita importância ao ordenado, ele respondia a si mesmo dizendo que “não só do pão vive o homem”. Sabia que o mais importante no serviço era inovar sempre até atingir a excelência. A recompensa viria por acréscimo.
Por isso, queria algo mais. Sei lá o quê… É difícil explicar.
Estava num ambiente que inibia a criatividade, incentivava a bajulação, o comodismo ou espírito do “deixa o barco andar”. Sentia-se incomodado pela auto-censura ideológica, político ou partidária impostas pela dita e famosa “linha editorial”, muitas vezes em detrimento dos princípios éticos e valores jornalísticos, como a verdade e a isenção.
Diante disso, teve de optar: conformar-se ou sair. Sentia-se um peixe fora da água e a frustração ameaçava fazer moradia em si. Além disso, sentia que qualquer proposta ou iniciativa inovadora era recebida com pessimismo ou indiferença maldosa. Não aguentava mais. Estava prestes a implodir.
E numa bela e cinzenta manhã de segunda-feira, 29 de Agosto de 2016, aconteceu o que, para muitos, era inesperado e imprudente: Francisco Inácio Cabota DEMITIU-SE do emprego na empresa onde era jornalista há oito anos.
Assim que entregou a carta de demissão, sentiu-se aliviado, como se tivesse retirado um peso enorme das costas. Sentia-se livre, como se tivesse se libertado de uma corrente que lhe prendia as mãos e os pés. Em suma, sentia-se feliz e ansioso por estar desempregado.
Como assim?!
Como é que alguém fica feliz por estar desempregado em plena época de crise económica?
Como alguém é capaz de abandonar por livre vontade e sem motivo aparente e plausível um emprego seguro, com salário que equivalia em Kwanzas a 2.700 dólares/mês (câmbio de 2013), fazendo o que gostava, na maior empresa da imprensa “escrita” de Angola contra tudo e todos? Perguntava-se, introspectivo, num exercício de auto crítica.
E a resposta não se fez esperar: ele queria continuar fazendo aquilo de que gostava (ler e escrever), trabalhar para ganhar dinheiro e satisfazer as suas necessidades e da sua família, MAS sem nunca deixar de ser feliz. Ele dizia que também queria ser dono do seu tempo e da sua agenda de trabalho. Ser piloto da sua vida e comandante da sua alma, como aconselha o saudoso líder Nelson Mandela. Sempre desabafasse o que queria os seus interlocutores em geral sorriam, incrédulos e com ar de quem diz: “esse ai está frustrada e perdido num mar de utopias”.
Colegas mais próximos lhe aconselharam a desistir da intenção de demitir-se. Gostavam dele e não queriam vê-lo cometer um erro imperdoável. “Pensa nas crianças, Inácio”, argumentavam. “E como fica o sustento da família? Meu, acho que estás a perder o juízo”, alguém terá dito. Até a recepcionista se recusou a fazer recepção da carta de demissão: “O quê, xé colega, estás maluco?” Gritou assustada. “Você quer abandonar emprego no Estado? Sabe quantos andam por ai a procura de uma vaga?” Rsrsrs… (risos).
Dias depois sorriu desse episódio. A última vez que recebeu um ralhete de uma mulher foi na adolescência, quando a mãe se zangou com ele por decidir de ir a igreja só por hábito. Queria algo mais...
No final de tudo, sua convicção era: um emprego ou salário que não contribui para a felicidade não vale o sacrifício. Ele não estava feliz com o seu emprego e ponto final.
Mas, e agora?
Agora está desempregado e conta apenas com o último ordenado que recebeu e que deve gerir bem para começar tudo de novo. Desbravar novos trilhos, aventurar-se e lutar para realizar os seus sonhos, que têm o tamanho de África.
Acima de tudo, ser feliz e oferecer felicidade para todos.
Estava deprimido? Não. Apenas preocupado. Talvez um pouco abaixo, mas não tinha medo de fracassar, porque tem fé em si e nas suas capacidades. O entusiasmo em realizar o seu sonho dá-lhe propósito de vida e energia.
Recuso-me acreditar que não sou capaz, dizia no íntimo.
Não se permitia acreditar que era incapaz de ganhar por si mesmo o salário que recebia, de ter a sua própria empresa e realizar a vida profissional de milhares. Mudar e melhorar o mundo com o seu contributo, assim como fizeram os Grandes da História.
Ingenuidade? Talvez. Sempre se lembrava que para inventar uma máquina que voa, como fizeram os irmãos Wright, era preciso ser ingénuo o bastante para acreditar que é possível. Às vezes, ingenuidade é prima da genialidade.
Havia oito anos que estava empregado, mas nos últimos anos estava infeliz, entediado e cansado com a rotina de um emprego. Queria algo mais. Algo que lhe fizesse sentir orgulho do seu trabalho. Queria fazer algo que fosse muito útil, de qualidade superior e indispensável à vida das pessoas como o ar que respiramos. Ao invés de fazer as coisas só por fazer, de forma mecânica, para salvaguardar “o pão”.
Para ele, o ordenado no fim do mês não era importante se não fizesse bem feito o que devia fazer em prol das pessoas para quem servia. Não dos patrões, mas sim do público para o qual trabalhava diariamente. Leitores de jornal, no caso.
Quando se questionava sobre o motivo de não dar muita importância ao ordenado, ele respondia a si mesmo dizendo que “não só do pão vive o homem”. Sabia que o mais importante no serviço era inovar sempre até atingir a excelência. A recompensa viria por acréscimo.
Por isso, queria algo mais. Sei lá o quê… É difícil explicar.
Estava num ambiente que inibia a criatividade, incentivava a bajulação, o comodismo ou espírito do “deixa o barco andar”. Sentia-se incomodado pela auto-censura ideológica, político ou partidária impostas pela dita e famosa “linha editorial”, muitas vezes em detrimento dos princípios éticos e valores jornalísticos, como a verdade e a isenção.
Diante disso, teve de optar: conformar-se ou sair. Sentia-se um peixe fora da água e a frustração ameaçava fazer moradia em si. Além disso, sentia que qualquer proposta ou iniciativa inovadora era recebida com pessimismo ou indiferença maldosa. Não aguentava mais. Estava prestes a implodir.
E numa bela e cinzenta manhã de segunda-feira, 29 de Agosto de 2016, aconteceu o que, para muitos, era inesperado e imprudente: Francisco Inácio Cabota DEMITIU-SE do emprego na empresa onde era jornalista há oito anos.
Assim que entregou a carta de demissão, sentiu-se aliviado, como se tivesse retirado um peso enorme das costas. Sentia-se livre, como se tivesse se libertado de uma corrente que lhe prendia as mãos e os pés. Em suma, sentia-se feliz e ansioso por estar desempregado.
Como assim?!
Como é que alguém fica feliz por estar desempregado em plena época de crise económica?
Como alguém é capaz de abandonar por livre vontade e sem motivo aparente e plausível um emprego seguro, com salário que equivalia em Kwanzas a 2.700 dólares/mês (câmbio de 2013), fazendo o que gostava, na maior empresa da imprensa “escrita” de Angola contra tudo e todos? Perguntava-se, introspectivo, num exercício de auto crítica.
E a resposta não se fez esperar: ele queria continuar fazendo aquilo de que gostava (ler e escrever), trabalhar para ganhar dinheiro e satisfazer as suas necessidades e da sua família, MAS sem nunca deixar de ser feliz. Ele dizia que também queria ser dono do seu tempo e da sua agenda de trabalho. Ser piloto da sua vida e comandante da sua alma, como aconselha o saudoso líder Nelson Mandela. Sempre desabafasse o que queria os seus interlocutores em geral sorriam, incrédulos e com ar de quem diz: “esse ai está frustrada e perdido num mar de utopias”.
Colegas mais próximos lhe aconselharam a desistir da intenção de demitir-se. Gostavam dele e não queriam vê-lo cometer um erro imperdoável. “Pensa nas crianças, Inácio”, argumentavam. “E como fica o sustento da família? Meu, acho que estás a perder o juízo”, alguém terá dito. Até a recepcionista se recusou a fazer recepção da carta de demissão: “O quê, xé colega, estás maluco?” Gritou assustada. “Você quer abandonar emprego no Estado? Sabe quantos andam por ai a procura de uma vaga?” Rsrsrs… (risos).
Dias depois sorriu desse episódio. A última vez que recebeu um ralhete de uma mulher foi na adolescência, quando a mãe se zangou com ele por decidir de ir a igreja só por hábito. Queria algo mais...
No final de tudo, sua convicção era: um emprego ou salário que não contribui para a felicidade não vale o sacrifício. Ele não estava feliz com o seu emprego e ponto final.
Mas, e agora?
Agora está desempregado e conta apenas com o último ordenado que recebeu e que deve gerir bem para começar tudo de novo. Desbravar novos trilhos, aventurar-se e lutar para realizar os seus sonhos, que têm o tamanho de África.
Acima de tudo, ser feliz e oferecer felicidade para todos.
Comentários
Enviar um comentário