É madrugada. Estou acordado porque acabo de ser morto no sono. Fui assassinado a tiros. Três balas perfuraram o meu corpo. Um na cabeça, um no tórax e outro no estômago. Além da faca que me espetaram no pescoço.
Ouço vozes vindas do fundo. Não vejo, mas ouço as vozes dos meus assassinos. “Está morto?”, Alguém pergunta. “Bem zarpado. O gajo bazou”, outro responde.
Não vejo, mas sinto que alguém se aproxima do meu rosto para averiguar. “Hum, esse gajo ainda não morreu. O dedo dele está mexer”. Disse o duvidoso ao comparsa.
Meu Deus! Grito no íntimo. Estou morto mas ainda estou vivo. Não sinto dores. Senti apenas no instante que as balas impactaram e perfuraram o meu corpo. Mas agora não sinto. Apenas estou imóvel. Sinto que os meus dedos da mão directa estremecem ligeiramente. O sangue sai lento e deixa-me com a sensação de um esvaziar de garrafa caída, entornando o líquido no chão.
Tudo começa a escurecer. Tudo começa a apagar lentamente. Oiço cada vez mais distante. Estou morrendo, mas ainda estou vivo. Meu Deus! Gemo nas profundezas da minha alma. Nesse instante, um dos assassinos grita zangado: “O gajo ainda está vivo! Filho da p…!”.
E logo de seguida me espeta uma faca no pescoço. Tchuáá! O meu corpo se contorce e eu gemo de dores e aguento os últimos suspiros de vida. Sinto sangue a jorrar e dores terríveis, porque ainda estou vivo, mas estou morrendo.
Porquê estou a ser assassinado de forma tal brutal? O que fiz de tão grave? Pergunto-me no íntimo.
Antes de descobrir a resposta, acordei sobressaltado da cama. É madrugada. São 4h45. O coração bate depressa e estou trémulo. Puxa, era só um mau sono. Que droga. Não consigo mais dormir. Pego no computador e nasce esse texto.
“A morte põe termo a tudo”, dizia Somerset Maugham, escritor britânico, autor de O Fio da Navalha.
Tudo tem fim. Tudo que nasce morre, ou pelo menos se transforma, diria o francês Jean Jacques Lavoisier, considerado o pai da Química moderna. Mas, a pergunta que se impõe é: se tudo morre, porquê somos tão apegados à vida e ao material? Para quê matar outro se mais tarde ou mais cedo o assassino também vai morrer?
Isso faz-me lembrar a última vez que fui a um funeral. Enquanto lamentava a morte da pessoa falecida, alguém disse: “não se preocupa mano, ele só adiantou, o caminho é o mesmo para todos”.
Essa é a dura realidade. Quem vive espera morrer. Mas o que continua a incomodar é que mesmo sabendo deste facto inegável continuamos a lutar e a matar por coisas que nunca teremos eternamente ou que não levaremos quando a morte bater a nossa porta.
Acredito que do pó viemos e do pó voltaremos. Não trazemos nada e nada levaremos desta vida. Pelo menos nada material: casa, carros, dinheiro, etc. Costumo dizer que nunca obtemos de facto essas coisas, apenas adquirimos o direito de usá-las, ou possuí-las por tempo determinado porque nada é permanente, tudo muda. Tudo é moda. Tudo é passageiro, até a própria vida.
Sendo assim, porquê continuamos a sobrevalorizar tanto essas coisas? Porquê temos que matar para comer, roubar para possuir, destruir para construir, e no final deixamos tudo para trás.
No fundo, as coisas que valorizamos pouco são aquelas que realmente têm um valor mais duradouro, como a amizade, o amor, a liberdade, a saúde, a solidariedade e, por fim, a felicidade.
Mas pergunto, alguém procura um emprego para obter essas coisas? Alguém procura dinheiro para conseguir tudo isso? Aliás, estas são as únicas coisas que o dinheiro não tem tanto poder para adquirir. Se um dia morreremos de qualquer jeito, então vale a pena refletirmos sobre as coisas pelas quais trabalhamos todos os dias e gastamos o nosso tempo de vida, porque cada dia passado nos conduz a um fim: a morte.
Ouço vozes vindas do fundo. Não vejo, mas ouço as vozes dos meus assassinos. “Está morto?”, Alguém pergunta. “Bem zarpado. O gajo bazou”, outro responde.
Não vejo, mas sinto que alguém se aproxima do meu rosto para averiguar. “Hum, esse gajo ainda não morreu. O dedo dele está mexer”. Disse o duvidoso ao comparsa.
Meu Deus! Grito no íntimo. Estou morto mas ainda estou vivo. Não sinto dores. Senti apenas no instante que as balas impactaram e perfuraram o meu corpo. Mas agora não sinto. Apenas estou imóvel. Sinto que os meus dedos da mão directa estremecem ligeiramente. O sangue sai lento e deixa-me com a sensação de um esvaziar de garrafa caída, entornando o líquido no chão.
Tudo começa a escurecer. Tudo começa a apagar lentamente. Oiço cada vez mais distante. Estou morrendo, mas ainda estou vivo. Meu Deus! Gemo nas profundezas da minha alma. Nesse instante, um dos assassinos grita zangado: “O gajo ainda está vivo! Filho da p…!”.
E logo de seguida me espeta uma faca no pescoço. Tchuáá! O meu corpo se contorce e eu gemo de dores e aguento os últimos suspiros de vida. Sinto sangue a jorrar e dores terríveis, porque ainda estou vivo, mas estou morrendo.
Porquê estou a ser assassinado de forma tal brutal? O que fiz de tão grave? Pergunto-me no íntimo.
Antes de descobrir a resposta, acordei sobressaltado da cama. É madrugada. São 4h45. O coração bate depressa e estou trémulo. Puxa, era só um mau sono. Que droga. Não consigo mais dormir. Pego no computador e nasce esse texto.
“A morte põe termo a tudo”, dizia Somerset Maugham, escritor britânico, autor de O Fio da Navalha.
Tudo tem fim. Tudo que nasce morre, ou pelo menos se transforma, diria o francês Jean Jacques Lavoisier, considerado o pai da Química moderna. Mas, a pergunta que se impõe é: se tudo morre, porquê somos tão apegados à vida e ao material? Para quê matar outro se mais tarde ou mais cedo o assassino também vai morrer?
Isso faz-me lembrar a última vez que fui a um funeral. Enquanto lamentava a morte da pessoa falecida, alguém disse: “não se preocupa mano, ele só adiantou, o caminho é o mesmo para todos”.
Essa é a dura realidade. Quem vive espera morrer. Mas o que continua a incomodar é que mesmo sabendo deste facto inegável continuamos a lutar e a matar por coisas que nunca teremos eternamente ou que não levaremos quando a morte bater a nossa porta.
Acredito que do pó viemos e do pó voltaremos. Não trazemos nada e nada levaremos desta vida. Pelo menos nada material: casa, carros, dinheiro, etc. Costumo dizer que nunca obtemos de facto essas coisas, apenas adquirimos o direito de usá-las, ou possuí-las por tempo determinado porque nada é permanente, tudo muda. Tudo é moda. Tudo é passageiro, até a própria vida.
Sendo assim, porquê continuamos a sobrevalorizar tanto essas coisas? Porquê temos que matar para comer, roubar para possuir, destruir para construir, e no final deixamos tudo para trás.
No fundo, as coisas que valorizamos pouco são aquelas que realmente têm um valor mais duradouro, como a amizade, o amor, a liberdade, a saúde, a solidariedade e, por fim, a felicidade.
Mas pergunto, alguém procura um emprego para obter essas coisas? Alguém procura dinheiro para conseguir tudo isso? Aliás, estas são as únicas coisas que o dinheiro não tem tanto poder para adquirir. Se um dia morreremos de qualquer jeito, então vale a pena refletirmos sobre as coisas pelas quais trabalhamos todos os dias e gastamos o nosso tempo de vida, porque cada dia passado nos conduz a um fim: a morte.
Verdade
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