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Jornalistas e jornais em vias de extinção? (II)

Jornalistas e jornais estão em vias de extinção. Esse processo começou com a criação da Internet e vai continuar. Num artigo anterior que publiquei no meu blog, afirmei que os jornais não vão morrer, apenas irão ver reduzidos o seu tamanho de mercado devido ao surgimento e concorrência atroz de novos meios de comunicação digital. Isso continua a ser verdade, mas apenas a médio prazo.
A longo prazo, jornalistas e jornais podem se extinguir, pelo menos do jeito como os conhecemos hoje. Serão como a carroçaria puxada pelos cavalos no início da indústria automóvel, ou peças de museu de uma era criada pela invenção da escrita e impulsionada pela invenção da máquina de Gutemberg. Serão confinados num capítulo dos anais da história da comunicação social, que conheceu o seu apogeu depois da Revolução Industrial e ficou moribunda com a criação da Internet e o início da Era da Informação Digital.
Nesta fase, da internet e da informação digital, os jornalistas estão a perder o peso e o monopólio da informação relativamente ao acto de recolher, tratar e distribuir informações de interesse do público, a favor de novos players mais adaptados às novas tecnologias de informação e comunicação.
Jornais estão a ser substituídos pelas redes sociais e outros produtos digitais existentes na Internet. E os jornalistas vão perdendo peso a favor de especialistas de novas tecnologias de informação, tais como bloggeres, youtuberes, programadores e internautas talentosos e criativos que são capazes de publicarem um texto, imagem ou vídeo e transformarem-no num fenómeno viral, compartilhado por milhares de pessoas em fracção de segundos.
Jornalistas entraram em extinção? Talvez não, mas um novo tipo de profissional vai roubar-lhes o protagonismo. Trata-se do que chamo os PROTIC´s (Profissional de tecnologias de informação), ou seja, uma mistura de técnico informático e jornalista.

Esses novos profissionais dominam tanto a engenharia informática quanto os meandros das ciências da comunicação. Num futuro não muito distante, as redacções de jornais, rádio e televisão deixarão da fazer sentido devido ao altissimo custo de investimento que elas representam e o modelo de negócio caduco a que ainda estão amarrados.
Para mim, e para aqueles que conhecem o potencial da Internet e das novas tecnologias, tudo isso parece óbvio. É só uma questão de tempo até que as redacções dos órgãos de comunicação social deixem de existir como os conhecemos hoje, cheio de gente e meios materiais dispensáveis.
O jornalismo tradicional dará lugar ao “jornalismo colaborativo” e ao “civic jornalism”, que contam com a participação de todos, sobretudo das pessoas directamente ligadas aos factos em substituição do papel de jornalistas, que poderão trabalhar em homeofficce ou part time como consultores ou coadjuvantes das fontes directas, que serão “fontes e repórteres” ao mesmo tempo. Ou seja, como diz o lema do site FInews, “repórteres somos todos” e qualquer um.
As redacções serão estruturas automatizadas e com muita tecnologia a mistura, incluindo algorítimos para coleta, selecção, tratamento e redacção de notícias vindas do terreno a substituírem editores e agregadores de notícias e redes sociais vão se encarregar da distribuição do conteúdo, substituindo os departamentos de circulação que são muito dispendiosos.
Jornalistas estarão em extinção? Vão desaparecer diante da agressividade das novas mídias? Talvez não, mas, se não se reinventarem poderão dar lufar a um novo tipo de profissionais, que eu designo por PROTIC´s (profissionais de tecnologias de informação) que são uma mistura de jornalista e técnico informático. Mas, infelizmente, é mais fácil mover montanhas do que mudar mentalidade de pessoas acomodadas.
Por quê não percebem que cada vez mais as pessoas veem o youtube ou programas de streaming da Netflix ao invés de Tv? Ouvem músicas e programas de podcast ao invés de rádio? Cada vez mais preferimos nos informar nas redes sociais ou web sites do que em jornais de papel, pesquisar no Google do que ler livros, aprender inglês com música americana, elevar a cultura geral com novelas e cinema, etc. Os exemplos e sinais são inúmeros, mas os “cabeça-analógicos” continuam a ignorar as tendências e os sinais dos tempos.
Arrisco em afirmar que um dia se o Estado deixar de sustentar a comunicação social pública, como parece provável caso a “a bênção” da crise se prolongue sem fim a vista, o “Jornal de Angola”, a “Angop”, a “RNA” e a “TPA” vão entrar em “crise de coma” até falir, porque o velho modelo de negócio analógico já não se adapta à nova realidade e está perder cada vez mais a quota de mercado.
Por isso, a solução passa por inovar o modo como se faz e se concebe o jornalismo e reinventar o modelo de negócio transformando-se, mais do que simples produtoras de informação, em empresas de mídia (no sentido lato da palavra) e ampliar o leque de serviços. Sé que é preciso estar preparado para enfrentar novos concorrentes gigantes e fortíssimos, como a Google, facebook, youtube, empresas de software (Microsoft) e telecomunicações como a Unitel, só para citar estes. Outra maka mais. Não será fácil, papa!

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