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Bartolomeu Dias: um milionário angolano que quer ser bilionário

BARTOLOMEU DIAS, É UM EMPREENDEDOR DE MUITA GARRA E SONHOS ALTOS.Quando o conheci, em 2008, acabava de entrar na casa dos 40 anos de idade e já era milionário, com uma fortuna pessoal avaliada em mais de 400 milhões de dólares, segundo informações reveladas pela revista Exame Angola. Numa edição da referida revista, ele teve a ousadia, como ninguém, de revelar a sua maior ambição empresarial: ser bilionário. “Já sou milionário, agora quero ser bilionário!”, declarou, numa altura em que liderava a gestão de um grupo empresarial de 13 empresas que facturavam mais de 200 milhões de dólares em vários ramos da actividade económica, tais como aviação civil, transportes rodoviários, indústria e serviços. Hoje, devido a crise que abala a economia do país, o grupo que lidera passa por difiuldades e tenta adaptar-se ao novo contexto. Decerto, já não será tão afortunado como outrora, mas rico continua. Não só pela quantidade de bens materiais e dinheiro que possui, mas por aquilo que o define como ser pessoa e como empreendedor. Alto e de bom porte físico, adestrado pelos exercícios regulares no ginásio anexo ao seu escritório, ele encarna a imagem de um alto executivo durão e bem parecido. É vaidoso e gosta de estar a par das últimas novidades da moda e do luxo. Com ele aprendi três lições valiosos que partilho na primeira edição da newsletter que edito mensalmente sobre negócios e empreendedorismo. É vaidoso e gosta de estar a par das últimas novidades da moda e do luxo. Tem uma colecção de carros de marcas luxuosos ao seu dispor. Nas poucas ocasiões que tive o prazer de privar com o empresário, o que me marcou e impressionou mesmo foi a sua personalidade. Tem fortes convicções. É determinado, seguro de si mesmo e destemido. O relacionamento com os seus funcionários deixa transparecer uma figura rígida e atenta ao mínimo detalhe. Há muitos assuntos interessantes para se escrever sobre este empreendedor angolano que não caberiam em duas páginas de jornal. Por isso, passo a citar resumidamente três lições simples de negócios e empreendedorismo que aprendi com Bartolomeu Dias. Lição nº 1: “Não se individe muito ao começar um negócio” Certo dia, perguntei-lhe: qual é a área de negócio mais fácil e promissor para começar um negócio. “Comércio”, ele respondeu imediatamente, sem rodeios. Com inteligencia, dinamismo, vontade e boas habilidades de vendas é possível ganhar muito dinheiro sem ter dinheiro (capital inicial). As pessoas reclamarem que não têm dinheiro para começar um negócio. Às vezes o mais importante não é ter capital inicial. Bartolomeu Dias revelou-me que fez muito dinheiro na fase do boom imobiliário em Luanda apenas com projectos arquitetónicos, sem muito capital inicial. Na altura, as pessoas compravam casas no Talatona pagando 50% ou mais adiantado apenas com base na planta do projecto arquitetónico. “Fazer dinheiro não custa, às vezes, nós é que complicamos as coisas devido a falta de visão e preparo mental” disse. Prémio africano de empreendedorismo Lição nº2: “Quem começa um negócio com mentalidade precária e limitada, vai continuar com negócio precário. É preciso ter ousadi.” Buda, proeminente guia espiritual, disse: “O poder da mente é implacável. O que você pensa, você cria. O que você sente, você atrai. O que você acredita, você realiza.” Frases simples, mas profundas. Significa que o segredo do sucesso encontra-se nas profundezas da nossa mente e do nosso sistema de crenças e valores. Empreendedores como Bartolomeu Dias não veêm o fracasso de uma investida como uma derrota. Para estes, sucesso implica ter fracassos mas sem perder o entusiasmo até alcançar os ibjectivos. E aquilo que nós obtemos é directamente proporcional a nossa ambição e vontade. Se for uma pessoa precária, os teus resultados serão precários, mas se for ousado os teus resultados serão grandiosos. Lição nº3: “No estado as pessoas têm emprego. No privado elas têm trabalho” Essa frase foi dita num tom de brincadeira, mas traduz a realidade. Quase todos estudam para serem empregados, de preferência no Estado onde há pouco trabalho e muitas regalias. Poucos querem empreender. Esquecem-se de que o Estado depende dos empreendedores para sobreviver. Parece haver um medo generalizado pelo fracasso e pelo risco. Por isso, quase todos buscam segurança e conforto num emprego estatal. Bartolomeu Dias, hoje com 47 anos, nunca teve um emprego formal. Sempre foi uma pessoa de negócios. No principio, quando era muito mais jovem, começou a fazer comércio nas Lundas. Depois de ganhar algum dinheiro importava carro da Europa e vendi-aos em Luanda. De negócio em negócio foi amealhando património até se tornar num empresário do sector privado. Uma vez perguntei-lhe se era um homem realizado. “Se dissesse que não, estaria a mentir a mim mesmo e aos outros. Eu já consegui ter tudo que um dia sonhei na infância”, respondeu, com calma e sem hesitação. “Mas a vida é dinámica. Tenho novos sonhos”, acrescentou.

Comentários

  1. Está a nascer um BD Jr. Força e determinação são duas coisas que ao se juntarem a tua "chatice" só podem mesmo resultar num empreendedor de aplaudir.

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