Avançar para o conteúdo principal

Jornalismo Económico em Angola/Economic Journalism in Angola

Em Agosto de 2008 foi lançado o primeiro jornal económico de Angola - intitulado "Jornal de Economia & Finanças". Ou seja, o primeiro projecto de jornal cuja linha editorial se pretendia especificamente focada no retrato de assuntos de natureza económica. Tive a felicidade de ser um dos jovens repórteres contratados para trabalhar neste jornal. O entusiasmo era enorme, pois a minha expectativa era ganhar a oportunidade de conhecer e dominar melhor essa fascinante ciência, que 'e a ECONOMIA, para compreender melhor o mundo e tudo que ocorre nele.
Desde pequeno que sempre tive a impressão de que tudo girava em torno da Economia, desde a política, a religião,incluindo muitos fenómenos sociais, como delinquência, desemprego, etc. Ou, por outras palavras, a posse ou falta de dinheiro comanda a vida das sociedades de hoje. Lembro-me que na minha infância sempre que os meus amigos recebessem um presente novo, eu corria para o meu pai e pedia: "Papa, me compra também o fato do superman". A resposta nao tardava, e quase sempre saia rude e mal humorada: "Nao ha dinheiro. Pensa que to apanhar no chão!". Nessa epoca meu pai estava desempregado e vivia de pequenos trabalhos da carpintaria que ficava no quintal da nossa casa.
Bem, voltando ao assunto. Durante as reunioes de pauta do jornal de economia sempre defendi a ideia de que o jornalista economico deve obrigatoriamente ter formcao na area de economia, para alem da formacao jornalistica. Isto devido a especificidade desta area do jornalismo. O reporter economico deve ser capaz de traduzir e interpretar dados estatísticos e saber fazer calculos percentuais, deve dominar o vocabulario economico, para alem de dominar as tecnicas de redacao da noticia. Sempre fui contrariado. Muitos colegas defendiam que basta saber jornalismo e dar a noticia, seja ela economica ou nao.
Fiquei mais aliviado ao saber que nao sou o único que defende a especialização do repórter económico. Antes de escrever este artigo, li um texto da jornalista brasileira Luciana Seabra que dizia: "não é possível escrever sobre Economia sem compreendê-la". Estou plenamente de acordo.
Dois anos depois do seu lançamento, o Jornal de Economia & Finanças nunca ofereceu aos seus repórteres um curso básico sobre economia, mas gastou milhares de dólares na contratação de consultores estrangeiros e na realização da cerimonia de lançamento. Hoje compreendo que so havia pressa da editora ganhar o titulo de ser a primeira a lançar um jornal de especialidade económica. Para eles, o resto nao tem pressa... Resultado: baixa procura, conteúdo sem grandes analises macro-económica, falta de articulistas de peso e renome na esfera económica, so para citar estes. Quanto a mim, o entusiasmo morreu e a motivação padece de paludismo.
----------
Publicações com foco económico: Jornal de Economia & Financas, revista Economia & Mercados, revista Exame Angola, Semanario Economico e jornal Expansao.

English Version

In August 2008 it launched the first economic newspaper in Angola - titled "Journal of Economics & Finance". That is, the first draft newspaper whose editorial policy was intended specifically focused on the portrayal of issues of economic nature. I was fortunate to be one of the young reporters hired to work at this newspaper. The enthusiasm was huge, because my expectation was to win the opportunity to better understand and master this fascinating science, that's Economy and to better understand the world and everything that happens in it.
From childhood I always had the impression that everything revolved around the economy, from politics, religion, including many social phenomena such as crime, unemployment, etc.. Or, in other words, the possession or lack of money controls the lives of today's societies. I remember in my childhood when my friends receive a new gift, I ran to my father and asked: "Papa, I also buy the fact of Superman." The answer not take long, and almost always leave rude and moody: "There is no money. You think to get on the floor." At that time my father was unemployed and lived in small carpentry work that was in the backyard of our house.
Well, back to the subject. During the meetings of staff of the newspaper economy always championed the idea that the economic journalist must of necessity have formcao in the area of economy, beyond the journalism training. This is because of this specific area of journalism. The economic reporter should be able to translate and interpret statistical data and know how to make percentage calculations, must master the vocabulary of economics, besides mastering the techniques of writing the news. I was always upset. Many colleagues argued that just knowing journalism and give the news, be it economically or not.
I was more relieved to know that I'm not the only one who defends the economic specialization of the reporter. Before writing this article, I read a text from a Brazilian journalist Luciana Seabra saying "Can not write about economics without understanding it." I fully agree.
Two years after its launch, the Journal of Economics & Finance has never offered its reporters a basic course on economics, but he spent thousands of dollars on hiring foreign consultants and conduct the ceremony of launch. So today I understand that the publisher was no hurry to win the title of being the first to launch a journal of economic expertise. For them, the rest not in a hurry ... Result: low demand content without major macro-economic analysis, lack of weight and renowned writers in the economic sphere, so to name them. As for me, the enthusiasm and motivation died suffering from malaria.
----------
Publications with economic focus: Jornal de Economia & Financas, revista Economia & Mercados, revista Exame Angola, Semanario Economico e jornal Expansao.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Transforme seu conhecimento em dinheiro com plataformas de infoprodutos

Três plataformas para venda de infoprodutos têm ganhado destaque em Angola, nomeadamente: Kubeta, Kwenha e Dude. Um infoproduto é um produto digital de conhecimento ou informação, tal como um curso, um eBook (livro digital), planilhas, aplicativos, softwares e eventos online. Para ganhar dinheiro com essas plataformas basta gravar video-aulas ou escrever e editar um livro, convertê-lo em PDF para depois inserir na plataforma e estar imediatamente disponivel para vendas ao público interessado. As plataformas já possuem sistemas de pagamento online. A cada venda realizada, o autor paga uma percentagem (geralmente 10%) para a plataforma e fica com a maior parte do dinheiro. Por isso, é uma boa forma de partilhar conhecimento e ganhar dinheiro online. Minha recomendação recai para a Kubeta, por ser uma plataforma com boa presença digital (é fácil e rápido de encontrar no Google), imagem muito profissional, páginas que processam rápida e bem organizada. A Kwenha tem um bom podcast e pare...

A HISTORIA DE SUCESSO DE UM MILIONÁRIO ANGOLANO

Desde menino mostrou ser um exímio “business man” (homem de negócios). Rapaz bem relacionado e muito traquina. Era o miúdo com quem os adultos e amigos podiam contar para qualquer negocio. Nessa altura, ainda com menos de 10 anos, o “miúdo Dias”, como era comummente chamado, já fazia o papel de intermediário e tirava dividendos na compra ou venda de qualquer artigo de uso pessoal ou doméstico que os mais velhos necessitassem.  “Sempre tive dom para os negócios. Aos 12 anos eu já conseguia dinheiro por meio próprio. Na altura já tinha três bicicletas compradas por mim, inclusive cheguei a comprar e oferecer um rádio cassete para o meu irmão mais velho, que tinha quase 10 anos a mais do que eu. Um pouco mais tarde já andava de moto pela cidade. Por isso era muito conhecido por todos” recorda Bartolomeu Dias, hoje um dos maiores empresários de sucesso em Angola. Nasceu numa família pobre, na pacata aldeia de Malengue, município de Cuchi, situado na distante província do Kuando Kubang...

Sara Cuca: empreendedora digital que fatura com a Internet

A influenciadora digital, Sara Cuca, tem 19 anos, mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais e faz dinheiro através da Internet. Quer saber como? Eu conto. Sara Cuca é apaixonada pelas redes sociais. Todos os dias, ela produz videos para tornar a vida dos seus seguidores mais divertido. Seja dançando, cantando a música Abana ou fazendo dublagens bem humoradas. Seu rosto bonito, sempre sorridente, e suas brincadeiras divertidas conquistaram a simpatia de mais de 2 milhões de seguidores, só no TikTok. Essa audiência enorme atrai atenção de marcas e empresas que contratam Sara Cuca para serviços de publicidade, como fez recentemente o supermercado Kibabo que contratou Sara Cuca para publicitar as suas promoções. Além disso, outros músicos e figuras públicas convidam ela para participar de eventos, shows, e outras ações de marketing e vendas. Mas, não é tudo. Recentemente, ela deu rosto a uma marca de bolacha chamada NAYA em parceria com a fabricante internacional Naya Foods e a ...