O atleta angolano José Armando Sayovo, 34 anos, recordista mundial dos Jogos Paralímpicos de Atenas, Grécia, terá a sua vida e obra contada em filme cuja produção decorre actualmente no Bié, sua terra natal, e noutras partes do país.
Em entrevista exclusiva a revista PERFIL, o presidente do Comité Paralímpico angolano, Leonel da Rocha Pinto, afirmou que o material audiovisual sobre as participações de Sayovo em jogos internacionais já se encontra no país. Neste momento, a equipa técnica, que envolve angolanos e consultores portugueses, já trabalha na produção da película. “Estamos em fase avançada de produção, mas ainda não temos data prevista para o lançamento. É um filme em que as pessoas poderão tirar muitas lições de vida” garantiu Leonel Pinto.
Um exemplo de fé
O filme conta a história da vida do atleta, desde o local de nascimento, a infância, o recrutamento forçado para a vida militar, passando pelo acidente que lhe provocou a Sequeira, até aos dias de glória e vitória desportiva. A grande novidade do filme será a revelação de factos que aconteceram na vida pessoal de Sayovo e que são desconhecidos pela grande maioria do público.
Um exemplo disso, foi a morte do seu irmão três dias antes de partir para os Jogos Olímpicos da Grécia e o menosprezo de muitos parentes, que o abandonaram ao se tornar cego por acidente de mina na frente de combate.
“Além disso, ele vivia uma situação muito difícil. Antes de partir para a Grécia, a sua filha estava em estado de saúde grave. Eu julgava que ele não estava moral e psicologicamente preparado. Surpreendi-me quando o Sayovo, num tom de humildade fora de comum, me disse «Presidente, temos de defender a bandeira do país. Eu vou correr em homenagem ao meu falecido irmão e ao meu país».” Recorda Leonel Pinto, descrevendo o contexto que se vivia poucos dias antes da partida à Grécia. “Aquilo foi muita fé, acredito que Sayovo ganhou pela força e graça de Deus”.
Sayovo, como é carinhosamente tratado pelo público, hoje é considerado por muitos como um herói nacional pela contribuição que deu para elevar o nome de Angola em eventos desportivos de renome mundial. Facto que mereceu o reconhecimento e solidariedade do Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

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