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OS LUCROS DOS BANCOS DE ANGOLA




Apesar da crise financeira internacional, a banca continua a ser um sector lucrativo. No ano passado, um numero significativo de bancos domiciliados no pais registou rendimentos superiores aos 40% do capital próprio.
De acordo com a quarta edição do estudo banca em analise, realizado pela Deloitte Angola, o banco BPA liderou no ano passado o ranking de rentabilidade com 69%, tirando o lugar cimeiro ao banco BIC que em 2007 tinha registado 71 por cento de rentabilidade.
Em segundo, terceiro, quarto e quinto lugares ficaram os banco Sol, com 65 por cento, BIC (63%), BESA (57%) e BFA (48%), respectivamente. Adicionalmente, outros três bancos atingiram uma rentabilidade dos capitais próprios (ROAE) acima dos 40 por cento, nomeadamente o BAI, BNI e o BPC.
Segundo o estudo, este crescimento acentuado nos resultados conduziu a um aumento da rentabilidade dos capitais próprios, que se situou nos 41,9% em comparação com os 32,1 por cento em 2007. Esta performance ‘e atingida quer por uma melhoria da rentabilidade dos activo, quer pelo aumento de alavancagem (activo total/fundos próprios). Isto significa uma diminuição da proporção de fundos próprios no activo, de 9,1 por cento em 2007 para 7,3 por cento em 2008.
Eficiência na gestão bancária
Durante o período do estudo sobre a banca (2008), a eficiência do sector financeiro aumentou significativamente. O indicador de custos gerais de exploração sobre o produto bancário bruto situou-se nos 37,7 por cento comparativamente aos 44,3 por centos em 2007.
Segundo o estudo, esta evolução significa que o crescimento do produto bancário foi superior a evolucao dos custos, posicionando o nível de eficiência do sector financeiro angolano em muitos casos superior ao de outros mercados.
“Durante o ano de 2008, o sector bancário angolano evidenciou uma performance assinalável, em que a rentabilidade e a eficiência do sector saíram” observou Rui Santos Silva, managing partner da Deloitte Angola.
Por sua vez, o ministro da economia, Manuel Junior, que se fez presente na apresentação do estudo, afirmou que o nível global de eficiência dos nossos bancos tem estado a evoluir de forma positiva. Nalguns casos ao nível dos mercados sofisticados e mais maduros do que o nosso. “O sistema financeiro angolano tem demonstrado um progressivo alinhamento com os padrões internacionais no que respeita as praticas de governação, informação ao mercado e gestão de risco” referiu.
Perspectivas e desafios
O estudo da Deloitte Angola concluiu que o ano de 2008 foi bastante positivo, apesar da crise financeira internacional que veio perturbar seriamente a trajectória de crescimento da economia angolana e a solidez do sistema financeiro.
Para justificar a sua conclusão, o estudo aponta, entre outros factores, o aumento em 38 por cento do credito a economia, passando de AKz 312 mil milhões em 2007 para AKz 430 mil milhões em 2008. Sendo que os sectores que mais recorreram ao credito foram o comercio, a construção civil e os serviços. Segundo o estudo, a agricultura e a pescas ainda continuam a ter valores baixos no que toca a concessão de credito, pelo que representam apenas 2,4 por cento do total do credito concedido a economia.
Actualmente, como resultado da diminuição das receitas do sector petrolífero, o aumento das taxas de reservas obrigatórias para 30 por cento e a tendência de desvalorização do Kwanza face ao dólar norte-americano, criam um conjuntos de desafios ao sistema financeiro angolano, que podem ser traduzidos na necessidade de uma selecção criteriosa dos mercados de actuação e gestão cuidadosa dos vários riscos, designadamente os riscos de liquidez, cambial e de credito.
Entretanto, o estudo sobre a banca refere que “as perspectivas a médio prazo são animadoras pela previsão de evolucao da economia, antecipando ao sector bancário um conjunto de oportunidades. Mas também a responsabilidade do sector bancário constituir-se no motor do crescimento económico”.
“A banca angolana enfrenta agora três grandes desafios: lidar com as alterações estruturais do negocio, sobretudo do seu modelo de funding, gerir a crescente necessidade de aumentar a bancarizacao mantendo ao mesmo tempo níveis de eficiência e de rentabilidade, e ao mesmo tempo investir no desenvolvimento do capital humano” remata Rui Santos Silva, da Deloitte Angola.



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