O actual contexto da comunicação social angolana, marcada por uma tendência crescente da concorrência entre as empresas publicas e privadas deste sector, apresenta boas perspectivas de crescimento e oportunidades de negócios para os empreendedores angolanos com vocação no ramo jornalístico.
Como ‘e obvio, as oportunidades estão sempre acompanhadas de desafios. Na imprensa, um destes desafios ‘e a falta de industrias gráficas em numero suficiente para baixar os custos de impressão de jornais e revistas.
Os investimentos feitos pelo Estado e pelo sector privado ainda não são suficiente para estimular os empreendedores deste ramo. Os custos de impressão no país continuam tão altos que inviabilizam muitos projectos editoriais.
Ainda assim, o mercado da comunicação social angolano continua vasto, facto que abre novas oportunidades de negócios e boas perspectivas de sucesso, sobretudo nas seguintes áreas inexploradas: jornalismo de entretenimento, jornalismo temático ou segmentado e assessoria de imprensa.
Entenda-se por jornalismo de entretenimento aquele tipo de jornalismo que junta o útil (informação) ao agradável (diversão) de uma forma interessante. Segundo o jornalista brasileiro Sidnei Basile, no mundo inteiro, principalmente nos países desenvolvidos, o conteúdo jornalístico está se tornando cada vez mais associado ao conteúdo de entretenimento.
No livro da sua autoria, intitulado “Elementos do jornalismo Económico”, ele afirma que “a vida só tem graça se for carregada de acesso a informação que seja divertido, fácil de acessar, cómodo e, se possível, inofensivo”. Actualmente, programas que misturam informação e entretenimento têm grande sucesso. Tal ‘e o caso do programa televisivo Janela Aberta, da TPA, e mais recentemente o Zimbando da TV Zimbo (ambos canais de tv em Angola), para não falar de outros programas internacionais do género com grandes sucesso, como o Show da Oprah que chega a atingir uma audiência superior a 30 milhões de espectadores.
Quanto ao jornalismo temático ou segmentado já ‘e considerando uma tendência do jornalismo moderno. Ao contrario do que acontece com a nossa imprensa, em que quase todas as publicações são de carácter generalista, o jornalismo segmentado privilegia a abordagem de determinados temas para públicos específicos. Um exemplo de bom aproveitamento deste género ‘e a Editora Abril, um dos maiores conglomerado de comunicação da América Latina que tem publicações diversas para atender públicos-alvo específicos.
A assessoria de imprensa ‘e também uma área que ainda pode ser explorada no jornalismo angolano devido a ineficiência e falta de profissionalismo que caracterizam os centros de documentação e informação (CDI) e os gabinetes de comunicação e imagem das empresas privadas. Pela experiencia, posso afirmar sem medo de errar que a maior parte das assessorias não facilita o trabalho da imprensa, antes pelo contrario, só atrasam e complicam os jornalistas. Ate faz sentido afirmar que, nalguns casos, se a imprensa ‘e chamada o “quarto poder”, as assessorias de imprensa e os CDI são “os contra” o quarto poder.
Entretanto, apesar das dificuldades existentes, vale a pena investir na comunicação social em Angola porque o actual contexto de mercado ‘e favorável para os empreendedores com visão e profissionalismo.

Comentários
Enviar um comentário